23 janeiro 2007

Edvard Munch

Há 63 anos morria em Ekely, Noruega um dos percursores do expressionismo alemão: Edvard Munch.

Nascido em Ådalsbruk a 12 de Dezembro de 1863, Edvard começou por estudar engenharia desistindo cedo e ingressando em 1880 na Escola Real de Arte e Design de Cristiânia (actual Oslo) onde permanecerá até 1886. Aí teve como professor o pintor naturalista Christian Krohg com quem partilha algumas temáticas como a obsessão com a morte e a doença, temas esses que tinham marcado a vida de Munch: a mãe morreu quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha faleceu aos 15, a mais nova sofria de doença mental e uma outra morreu meses depois de casar, para além disso o próprio Edvard estava constantemente doente.

"Doença, loucura e morte foram os anjos negros que ficavam de vigília sobre o meu berço e me acompanharam pela vida fora."

Mais tarde, em Paris, Munch contacta com as obras dos pós-impressionistas Gauguin e Van Gogh sofrendo influências.

Só durante os anos de 1890 é que Munch, que até aí tinha realizado algumas obras Naturalistas e Impressionistas, se definiu, assim quando foi convidado para expor em Berlim houve já um pouco de controvérsia tendo a exposição fechado uma semana depois.

Permanecendo em Berlim Munch começa a trabalhar no "Friso da Vida", uma colecção de trabalhos dividida em 4 partes: O Despertar do Amor; O Amor Floresce e Morre; Angústia de Viver; e Morte. Incluindo nesta colecção está o seu mais famoso quadro: O Grito (1893). Neste quadro Munch exprime com veemência o desespero emocional que o assola, fazendo-o tanto através da figura representada como do fundo que com a sua disformidade demonstra o abalo do grito e o sofrimento do momento. Quando a colecção foi exposta, um critico achou os trabalhos tão perturbadores que aconselhou mulheres grávidas a evitarem vê-la e em especial a"O Grito", no entanto o publico teve reacção oposta e o quadro tornou-se sensação.

Em 1908 Munch sofre um colapso mental que o obriga a regressar à Noruega. A terapia que teve mudou a sua personalidade e a partir daí as suas obras passaram a ser menos pessimistas e mais coloridas.

Com Munch é impulsionada a representação da realidade de forma expressiva, sendo que para ele não interessa como ela é, interessa como o pintor a vê, como ela é sentida por ele.
"Eu não pinto o que vejo. Pinto o que vi"

5 comentários:

a do costume disse...

Será por ser tão bom que o Grito foi roubado recentemente? Até nos ladrões há escalas de gosto...hehehe!

Dália Dias disse...

estão mortos? não opinam! Chicasso, ponha aqui mais umas provocações, a ver se os piratas começam a dizer qq coisa.encravou a ficha? não cai? devemos falar, sem receio.a livre circulação de ideias é isto mesmo. sem preocupações com o "culturalmente correcto". onde está a irreverência dos independentes? os impressionistas foram ousados, pensaram e arriscaram ideias diferentes. alinham? por mim, digo já: se eu estivesse doente, pensaria nisto! Caeiro? Voltaste? Até já!

Orlando Gilberto Castro disse...

É de facto fantástico perceber o sufoco que estes quadros transmitem e perceber o que sentiu o pintor e qual o entendimento da Arte que o levou a estes caminhos.
Muito bom, sem dúvida!

Aliás, este "Grito" foi um dos escolhidos para a nossa intervenção à Duchamp! :P

ANDY CAP disse...

A princípio tive receio, mas, pronto. Decidi-me - e seja o que Deus Nosso Senhor quizer.
É assim:
Vi há alguns dias uns bocado de um programa do canal 2: sobre a história da crusta terrestre, em que se enfatizavam as forças que a têm modelado desde há milhões de anos.
E entre muitas coisas espantosas que aí ouvi - como, por exemplo, que a poeira do Saara é levada pelo vento até ao Midwest Americano e à Amazónia! - com "garantia" de coisa científica, referiram, para ilustrar a dimensão da erupção de Agosto de 1883 do vulcão KRAKATAU (mais conhecido por Cracatoa), no estreito de Sonda, na Indonésia, que, provavelmente, o céu de "O Grito" mostrava o que o Munch viu: Céu rosa/alaranjado - colorido pelas cinzas e resíduos da explosão do vulcão. No "site"
http://volcano.und.edu/vwdocs/volc_images/southeast_asia/indonesia/krakatau.html
referem que as cinzas foram expelidas (numa outra erupção bem mais recente) a mais de 400 metros de altitude - levando-me a crer que na de 1883 talvez tenham ido mais alto, já que a explosão foi ouvida em Madagáscar (amais de 5.000 km).
No entanto, pelo vosso texto fico com a ideia de que o quadro terá sido pintado cerca de 10 anos mais tarde, à volta de 1893.
Alguém me pode indicar a data do quadro?
Será interessante verificar se os ventos arrastaram as cinzas tão longe?
E aue elas se mantiveram em suspensão durante tanto tempo?

ANDY CAP disse...

Afinal foi verdade! Vi agora na Wikipedia, ao pesquisar por The Scream que os céus na Noruega foram atingidos pelas cinzas da erupção do Cracatoa!
Então O Grito mostra bem a angústia (o Desespero - como o quadro se chamou inicialmente) perante aquele cataclismo!
Confesso que agora o quadro tem muito mais significado para mim!
E reflecte o que sinto pelo que está a acontecer a este mundo cada vez mais louco!