10 outubro 2006

Para J.

Cara ou caro J. (conheço várias pessoas com nomes a começar por J mas não estou a reconhecer esta assinatura. Se calhar não era suposto):
foi com entusiasmo que li todos os seus (posso dizer teus?) comentários.

Gostei particularmente do que se refere ao post "Volver". Para mim, resaltou a passagem que diz que devíamos levar todos os problemas com a mesma calma com a qual as personagens do filme enfrentam os seus. Todos os problemas devem ser enfrentados sem perder a cabeça. Concordo. Aliás, o filme é um grande elogio, com o qual também concordo, à capacidade de lutar das mulheres.
No entanto, continuo a achar que é de certo modo assustadora a forma como Raimunda lida com problemas como a morte do marido. Estas suas acções e a forma como se entreajudam são muito motivadas pelas condicionantes adeversas que a isso as obrigam.
Mas para mim, o filme é isso mesmo. A forma maravilhosa como se ajudam. A cumplicidade. Mais ainda do que a forma como lidam com cada problema seu, é impressionante a forma como lidam com os problemas umas das outras. Enquanto permitem que as amigas saibam algumas coisas mas outras permaneçam escondidas.

P.S.: Obrigado pelo comentário. Ajudou-me a construir a minha visão filme. P.f. volte a fazer o mesmo.

1 comentário:

j. disse...

Seguindo a sua (posso dizer tua? eheh!) ordem...


Com certeza que o uso da 2ª pessoa se aplica aqui. Afinal, o propósito deste blog acaba por ser a criação de conversas, diálogos, opiniões informais, certo? Para chegar mais perto...

De facto, devem-se encarar, antes de tudo, os problemas. Depois, tentar não lhes acrescentar mais tentáculos do que eles já têm. E é isso que (re)vejo constantemente nos (poucos, ainda) filmes que vi do Almodóvar. No entanto, não sou pessoa com moral suficiente para dar lições de ética a outros. Tenho o hábito de pôr fermento no polvo. Talvez me devesse despachar a ver todos os outros 'Almodóvars'.

Sim, é de facto assustador o "tratamento" que Raimunda oferece ao corpo do marido. Mas teria que ser assim, não é? É a força natural da mulher + a força que ela deu ao mundo e que lhe dá a ela mais razões para nele habitar, ou seja, a filha.

O que me fascina mais no filme, para além dessas relações de cumplicidade que referiste, é precisamente o facto de sabermos que muitas daquelas visões são reais. São (talvez e provavelmente) as mulheres com que o próprio Almodóvar viveu. em La Mancha.

Voltarei, sim. Pela Arte.


Como conclusão, apenas agradeço a tomada de atenção aos meus comentários. Sinto-me elogiado/a.
Não quero fazer do meu nome um mistério nem permanecer incógnito/a. Apenas não me apetece. Hoje.