15 maio 2010



Tenho o gigante prazer de apresentar,
em estreia em Portugal e directamente de Bolonha:

"AMARGO SALGADO"
de Joana Soares





11 comentários:

OGC disse...

Raios, só agora é que vi que ficou cortado. Alguém sabe pôr mais pequeno? É uma vergonha ter aquilo cortado!!!

Pablo Chicasso disse...

Para todos os efeitos este é o primeiro poste da Joana no blogue. E é um excelente começo! Podias dizer alguma coisa sobre isto... sei lá, porque estas imagens, porque estes filmes, desta altura?

(já tentei por mais pequeno isto foi o melhor que deu :(

Voltaire disse...

munto bom joana, gostei mesmo.!
o fim lol


(dei um arranjozito ao video, tenho k vos ensinar a mexer no html, não é nada de especial ;P)

OGC disse...

Yay! Gracias, Serhito! :D

Anónimo disse...

A miúda tem CLASSE!
Continua
Zé do boné

joana alla bolognese disse...

Hmm..
Antes de mais, vi ringrazio tantissimo! :)

A breve história por detrás do filme:
Como avaliação para disciplina de Teoria e Tecnica del Montaggio, tinha que fazer uma curta-metragem individual sobre o tema "Água". Depois de muitos brainstormings, cheguei às lágrimas e ao mar. Lágrimas, porque acho que é uma reacção corporal lindíssima, muito cinematográfica. Mar, porque me falta tanto!

Numa discussão com a minha mãe, surgiu o poema de Fernando Pessoa, "Mar Português". Et voilà!, decidi fazer sobre o meu país, sobre o seu mar e sobre as suas lágrimas.
Com grande ajuda dos meus pais, fui descobrindo filmes portugueses sobre pescadores. Enquanto os via (quase todos no youtube, porque nem sequer existem em dvd!), fui criando a estória na minha cabeça, que ficou completamente definida ao ouvir a música da Amália, "Barco Negro", bem como aquela introdução da Mariza.

O passo seguinte foi desmontar os filmes. É um processo muito interessante, porque fui entendendo a linguagem de cada filme - a forma como foram montados. Especialmente os do Leitão de Barros, que ficou conhecido como o Eisenstein português! A montagem dos filmes dele (particularmente do "Maria do Mar") acabou por influenciar a minha (e esse filme acabou por se tornar um dos meus filmes favoritos).
Depois de desmembrar os filmes, comecei a montar um novo, uma espécie de Frankenstein, com pedaços d'aqui e d'ali, tentanto manter uma narrativa coerente (que não é nada fácil!).
Foi muito engraçado pegar em imagens que, no contexto do filme, tinham um significado, e transformá-lo completamente. É a montagem que propicia isso: toda a sequência de imagens que vem antes de um plano, e toda a sequência que lhe segue, é que determinam o seu significado.

Porquê estes filmes, desta altura?
São os mais emblemáticos sobre pescadores. Digamos que o cinema português de hoje não se debruça muito sobre este tema. E, também, claro, muita nostalgia!
Como o Orlando me perguntou: "São tudo saudades?"
Sim! Agora que estou fora, que estou longe, sinto-me mais portuguesa. Como disse Pepetela, "a distância empresta às coisas o tom patinado da perfeição." E Portugal, esse jardim à beira mar plantado, falta-me e parece-me, d'aqui, tão acolhedor, tão-casa. É bom partir, é bom viajar, para depois se regressar. Faltam-me os rios e o mar, as pontes e as casas podres do Porto, o fado que se ouve na rua e as frases de Pessoa nas paredes de Lisboa, falta-me a lareira da minha avó e a sardinha assada, falta-me a calçada portuguesa e o bacalhau. Pensava que ao partir ia encontrar um mundo diferente que me agradaria muito mais. E, sim, encontrei isso, mas, mais ainda, descobri o quão portuguesa sou e o quão gosto disso! Aquilo de que nos queixamos - os nossos defeitos - também existem 'aqui fora' e, muitas vezes, em escala bem maior. Somos um povo bem simpático e temos um país lindíssimo!

Para finalizar o meu testamento-confissão:
http://www.youtube.com/watch?v=2bOhxGBRXAU

joana alla bolognese disse...

Aah, quanto à música: achei que usar um fado ou uma guitarra portuguesa seria demasiado óbvio (embora a referência não deixe de estar lá, no fim). Tinha revisto o "Marie Antoinette" há pouco tempo e apeteceu-me fazer assim uma coisa à Coppola-filha.
Em conversa com o meu pai (mais uma vez!), ele aconselhou-me usar música portuguesa. Surgiram nomes como António Variações ou Sétima Legião, mas, no final, tinha que ser a "Saudade" dos Heróis do Mar! Porque será? Hehe!

(Não sei se vos interessa tudo isto, mas fica a explicação. Na verdade, acho que foi mais uma explicação para mim própria!)

OGC disse...

Gostei muito de ler esta tua explicação, obrigado! :)

OGC disse...

E vem totalmente de encontro à questão da casa de que temos vindo de alguma forma a falar!

Pablo Chicasso disse...

Sim, é engraçado quando estes encontros acontecem :) E que bela resposta à curiosidade nos deste!

Pablo Chicasso disse...

ah, e tinha-me esquecido de comentar, mas adorei a frase: "Mar, porque me falta tanto!" É ao mesmo tempo terrível e excelente quando nos falta mar. Terrível porque significa que sentimos falta de espaço para manobrar o barco, excelente porque significa que temos barco para navegar mais longe. Haja portos...