08 outubro 2006

Volver

Mudando brutalmente da assunto...
Ontem fui ver o Volver de Pedro Almodóver. Recomendo vivamente.

Em primeiro lugar pela forma como ele filma a Penélope Cruz a lavar a loiça (quem viu sabe ao que me refiro, quem não viu vai querer ver). hum....

E depois, e agora mais a sério, pelas relações entre as mulheres no filme. Não que eu não soubesse já que são sempre complicadas... A meu ver, só é pena que o vasto leque de personagens (que permite um variado retrato de figuras-tipo) imponha limitações ao conhecimento mais profundo do íntimo de cada personagem.
Outra das coisas muito boas no filme, é a forma como ele filma a mãe de Raimunda e Sole, deixando-nos sem saber se acreditar que ela é um...
...
bom... não digo. vão ver o filme. E depois deixem o vosso comentário.


uma curiosidade: a estrutura do guião é mt parecida com a da tragédia Clássica (forma dramática com apogeu no séc. V a.C.). No entanto o filme não é, de todo, uma tragédia e está até salpicado de um humor peculiar. Não é fantástico que continuemos a escrever como há 25 séculos??

9 comentários:

Psinocas disse...

A força das Mulheres no seu melhor!
A capacidade de lidar com as adversidades da vida, a resiliência e a sabedoria das mulheres!
Só um realizador como Almodovor seria capaz de falar assim das mulheres!
Este filme fez-me lembrar o Cria Corvos de Carlos Saura( década de 70), aconselho vivamente!!!

j. disse...

É um verdadeiro Almodóvar. O quotidiano de um 'grupo' (se é que lhe podemos chamar assim) específico. Os seus dramas, mais banais ou mais complicados (sendo estes últimos, no entanto, muitas vezes, encarados como os primeiros. Como se o que para nós fosse algo estranhamente fora de vulgar, não passe apenas, para aquelas pessoas, de um problema do dia-a-dia que têm que superar como qualquer outro. Afinal, talvez devêssemos encarar certos 'problemões' nossos assim.) As suas conquistas. As suas felicidades (feitas daqueles pequenos momentos que podem ser encarados, mais uma vez, como banais. Depende da perspectiva!). É sem dúvida um Almodóvar.
Vendo o anterior (e mais chocante, pelo menos em termos visuais) "Má Educação" rapidamente se encontram as grandes diferenças. Mas aquelas realidades tão distintas, mostradas, acabam por se completar e identificar. Auto-biografia?

Sousa disse...

Já fui ver o filme e fiquei com poucas palavras. Um bom filme sim senhor!

a do costume disse...

o cria corvos e o carlos saura deviam fazer parte da educação obrigatória...vale a pena revisitar os anos setenta e o cinema de autor. ainda bem que há quem conheça.

não chames pai a outro disse...

Eu também me lembrei do "Cria Corvos" à medida que se iam repetindo as cenas denunciadoras da hipocrisia, das "públicas virtudes e vícios privados" e de todo o mal que engendram nas personalidades (personas ?).
E é mesmo um grande filme. E nas concessões comerciais só usa aquela cena de "efeitos especiais" na lavagem da faca - alguém é capaz de comparar as duas vezes em que a faca é lavada?

Anónimo disse...

O vosso blog fez-me lembrar muita coisa sobre arte. E fez-me muita inveja daqueles que SABEM de Arte.
Lembrou-me que antigamente havia uma produtora/distribuidora de filmes que tinha por lema "ARS GRATIA ARTIS" à volta de um leão a rugir.
Lembrou-me que ouvi na TV há poucos dias o presidnte da Gulbenkian dizer que uma das características das obras de arte é "fazer-nos pensar"
Lembrou-me que à arte está, normalmente (?) associado o conceito de "BELO" ( e também os de "ÉTICA", "MORAL", "POLÍTICA" - e utilização da arte na política e para a política e a utilização política da arte - UFF!)
E lembrou-me um dos grandes filmes de sempre (que tenho procurado sem sucesso), que causou uma ENORMÍSSIMA celeuma quando surgiu, e, apesar de ter sido "classificado" de pornográfico, entre outras coisas, por vários críticos, recebeu o prémio do melhor filme do ano dado pelo VATICANO - trata-se do filme TEOREMA - onde estão aqueles conceitos todos.
E lembrei-me também de outro grande filme - MORTE EM VENEZA.
Por vossa causa estou a ler o livro.
Ainda vou só no fim do 2º capítulo. Espero poder vir falar-vos dele mais adiante.

Psinocas disse...

O mapa não é o território!?

Para o mesmo território temos diferentes mapas...mas que bom que é sentir que estes diferentes mapas mentais que se encontram neste blog, se ajustam de uma forma maravilhosa!

Calibragem perfeita...

Pablo Chicasso disse...

Confesso a minha falta de perspicácia na cena da faca. Que acontece das duas vezes que a faca é lavada?

Não chamem pai a outro disse...

Antes de mais, as minhas desculpas. No outro dia queria dar-vos os parabén por terem assumido esta aventura e quiz identificar-me como hoje faço, mas fugiu-me o 'm' para o 's'.
Sobre a lavagem da faca: da 1ª vez é lavada como instrumento doméstico, no meio da outra louça, e da 2ª vez a seguir ao assassinato(?).